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Consagrada como a terra dos papangus, a cidade de Bezerros tem uma cultura que vai além da brincadeira de mascarados no Carnaval. Conhecido como a Folia do Papangu, o Carnaval do município é o maior do Agreste e o único temático do Brasil. Por isso, vem a cada ano contribuindo para preservação das nossas mais autênticas tradições carnavalescas.

A tradição diz que os foliões devem fazer as suas próprias fantasias sem conhecimento dos outros. Sendo assim, todos devem ficar sob o manto da máscara até o final da grande folia, realizada nos três dias de carnaval.

Conhecido nacionalmente e internacionalmente, o Carnaval de Bezerros recebe mais de 500 mil pessoas nos 6 dias do Reinado de Momo, e no domingo esse número chega a 300 mil visitantes, o que comprova o quanto o evento é atraente para o turismo.

As máscaras decorativas que enchem o Carnaval de Bezerros de cores são confeccionadas em papel machê. As peças são de todos os tamanhos. Algumas chegam a mais de cinco metros de altura.

Com artistas conhecidos internacionalmente, o município preserva o seu folclore e sua cultura original, além da produção de máscaras e bois em papel machê, brinquedos em madeira e frutas em cerâmica. Reconhecida nacionalmente pela figura do artista J. Borges, a cidade é a maior produtora de xilogravuras do Estado. São diversos ateliês que atraem turistas de todos os cantos do país.

BEZERROS REÚNE ECOLOGIA, ESPORTES RADICAIS E ARTESANATO
Cidade do famoso xilogravurista Jota Borges e dos coloridos papangus que invadem as ruas nos dias de carnaval, Bezerros oferece ainda uma série de outros atrativos. Principalmente para quem gosta de curtir a natureza e praticar esportes radicais ou para quem pretende conhecer a diversidade do artesanato pernambucano. É o que você vai ver em mais um capítulo dessa nossa viagem pelo interior do Estado.

Para os apreciadores da cultura popular, os primeiros pontos de parada estão logo à beira da estrada, antes mesmo de entrar na cidade. Pois é ali, às margens da BR-232, que estão localizados o ateliê do artista Jota Borges e o Centro de Artesanato do Agreste, construído pelo governo do Estado para funcionar como um centro de referência da arte popular pernambucana.

Já os amantes da ecologia e dos esportes radicais devem seguir para regiões como a Serra Negra, a poucos quilômetros do centro da cidade. O local abriga uma pequena vila, um parque ecológico, mirantes e várias grutas naturais que estão sendo utilizadas para apresentações de shows musicais e espetáculos teatrais. Serra Negra é também um dos principais pontos do Estado para a prática de vôo livre.

J. Borges:
A peleja da xilogravura e do cordel No seu ateliê, às margens da BR-232, J. Borges mantém uma exposição permanente e um ponto de vendas dos folhetos de cordel que escreve e das xilogravuras que entalha na maneira de forma artesanal. Um dos mais famosos gravadores populares do Nordeste brasileiro, ele nasceu em Bezerros, em 1935.

Freqüentou apenas a escola primária e, em 1956, começou a vender folhetos (de outros autores) nas feiras-livres do interior pernambucano. De tanto manusear e ler as fantásticas histórias, gostou daquele tipo de literatura e passou a imitar os poetas dos quais vendia os folhetos. O primeiro folheto que escreveu e publicou contava a disputa de dois vaqueiros por uma donzela. Desde então, não parou de escrever. Em seguida, passaria a fazer também as xilogravuras para ilustrar as capas dos seus folhetos. Atualmente, a xilogravura de Borges é respeitada não apenas no Brasil como também no exterior. J. Borges já expôs seus trabalhos em países como USA, Suíça, Alemanha, México, Venezuela e outros. Em 1994, o artista lecionou gravura, como convidado, na Universidade do Novo México.

Autor de dezenas de xilogravuras que ilustram o livro "As Palavras Andantes", do escritor uruguaio Eduardo Galeano, em 1975 Borges produziu xilogravuras para abertura da novela "Roque Santeiro" (TV Globo), de Dias Gomes, que foi censurada no dia da estréia. Antes de passar a ganhar a vida com a arte do Cordel e da gravura, J.Borges foi agricultor, carpinteiro, pintor de paredes e pedreiro. Entre os principais folhetos escritos pelo artista, estão "O exemplo da mulher que vendeu o cabelo e foi para o inferno" (1967) e "Domiciana e Rosete" (1968).

Serra Negra:
Ecologia e arte nas alturas Região das mais bonitas e agradáveis do Estado, a Serra Negra tem 960 metros de altura e fica a menos de dez quilômetros do centro da cidade de Bezerros. O local abriga uma pequena vila e um parque ecológico com vegetação típica do semi-árido nordestino. Inicialmente, a serra era explorada apenas pelos adeptos dos esportes radicais que instalaram ali uma rampa para vôo-livre.

Hoje, toda aquela área já vem sendo usada de forma organizada pelo turismo. Em 2002, por exemplo, foi realizado na Serra Negra um grande festival de música, poesia e artes plásticas. O festival reuniu artistas locais e grandes nomes como Gilberto Gil e aconteceu num anfiteatro e nos mirantes e nas várias grutas naturais existentes na serra. Foi um acontecimento que contou com toda infra-estrutura das grandes produções.

Centro de Artesanato do Agreste:
Localizada às margens da BR-232, o Centro de Artesanato do Agreste é um espaço construído pelo governo do Estado, no município de Bezerros, para reunir peças de todos os tipos do artesanato produzido em Pernambuco. Idealizado para funcionar como um centro de referência da arte pernambucana, terá exposição permanente de trabalhos dos principais artesãos e artistas populares de todo o Estado; pontos de vendas e áreas para realização de cursos e treinamentos.

Papangu:
Mascarados que saem às ruas, durante o carnaval, representando figuras tolas, grotescas. Consta que, originalmente, eram os encapuzados que saíam à frente das procissões de penitência, tocando trombeta de vez em quando. Depois que a Igreja Católica proibiu a participação dessas figuras nas procissões, os encapuzados passaram a desfilar durante o carnaval. Em 1831, a Câmara Municipal do Recife, Pernambuco, determinou: "Ficam proibidos os farricocos e papangus, figuras de morte e de tirano, nas procissões que a Igreja celebra no tempo da Quaresma" (Pereira da Costa in Vocabulário Pernambucano).

Xilogravura:
Ilustrações populares obtidas por gravuras talhadas em madeira, muito difundidas no Nordeste e sempre associadas à Literatura de Cordel, uma vez que a partir do final do Século XIX passaram a ser utilizadas na produção de capas dos folhetos. Anteriormente, a xilogravura tinha uso considerado "menos nobre", como a confecção de rótulos de garrafas de cachaça e outros produtos. Sua grande popularidade veio com o Cordel. A origem da xilogravura nordestina até hoje é ignorada. Acredita-se que os missionários portugueses tenham ensinado sua técnica aos brasilíndios, como uma atividade extra-catequese, partindo do princípio religioso que defende a necessidade de ocupar as mãos para que a mente não fique livre, sujeita aos maus pensamentos, ao pecado. As matrizes para a impressão das ilustrações são talhadas em madeira mole (o cajá, por exemplo), geralmente pelos próprios autores das histórias de Cordel que utilizam apenas um canivete ou faca domética bem amolados. Na década de 1960, depois que intelectuais e pesquisadores passaram a publicar luxuosos álbuns de gravuras produzidas por artistas populares do Nordeste, a xilogravura ganhou status de arte e projeção nacional e internacional. Entre os maiores xilogravuristas pernambucanos, estão Dila e J. Borges.
 
Lista completa de Eventos todos os anos
 
  1. 1º Grito de carnaval
  2. Festa de São Sebastião
  3. Baile Municipal
  4. Carnaval  ( Folia do Papangu )
  5. Emancipação Política
  6. São João Cultural
  7. Bezerros Moto Fest
  8. Vaquejada ( Circuito Pernambucano )
  9. Pangu Folia
  10. Ciclo Natalino
 
 
 
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